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Fundação

Após o declínio da Associação Literária Cuiabana, fundada em 21 de outubro de 1884, instituição cultural que fomentava a leitura em Cuiabá, surgiu o Centro Mattogrossense de Letras.

Fundado em 22 de maio de 1921, as sessões aconteciam inicialmente no Palácio da Instrução. A carta de convocação para a primeira reunião foi assinada por José de Mesquita, João Barbosa de Faria e Lamartine Mendes. A sessão de instalação deu-se no dia 7 de setembro de 1921, no salão nobre do Palácio da Instrução.

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Em 15 de agosto de 1932, o Centro Mattogrossense de Letras transformou-se em Academia Mattogrossense de Letras, em decorrência da atualização aprovada pelos membros da casa, obedecendo o modelo da Academia Francesa e, depois, da Academia Brasileira de Letras.

A cerimônia de instalação deu-se no dia 7 de setembro do mesmo ano.

Além dos fundadores iniciais, foram admitidos como sócios para ocupar as primeiras cadeiras: Ana Luiza da Silva Prado, Antonio Fernandes de Souza, Augusto Cavalcanti de Mello, Joaquim Gaudie de Aquino Corrêa, José Magno da Silva Pereira, José Raul Vila, Leovigildo Martins de Mello, Manuel Pais de Oliveira, Manuel Xavier Pais Barreto, Otávio Cunha, Palmiro Pimenta e Ulisses Cuiabano.

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O Centro Mato-Grossense de Letras foi fundado no governo do arcebispo D. Francisco de Aquino Corrêa (1918-1922), grande incentivador das artes, da literatura e da pesquisa da história regional.

A entidade representou um marco na consolidação literária propriamente mato-grossense.

fundacao03José Barnabé de Mesquita, filho do homônimo intelectual abolicionista, foi jurista reconhecido e literato de talento.

Com menos de 30 anos de idade, já havia assumido o cargo de presidente do então Centro Mato-Grossense de Letras, tendo também presidido o tribunal por 10 anos. Liderou a Academia por 40 anos, da fundação em 1921 até 1961, data de sua morte. Foi o escritor de maior versatilidade de sua época e, até hoje, um dos mais profícuos mato-grossenses na literatura. Jornalista, contista, cronista, romancista, poeta, dividia-se em multifacetadas áreas literárias. A Academia Mato-Grossense de Letras presta eterna homenagem à memória do 1º Presidente com um busto, exibindo-o obrigatoriamente na entrada ou no salão nobre, em cerimônias solenes.

Nesse prédio da rua da Esperança foi que conheci, já em pleno declínio, a histórica sociedade, que se pode considerar a primeira tentativa de coordenação cultural em Mato Grosso. Devo-lhe, posso dizer com segurança, a minha iniciação literária, feita precocemente aos 12 anos. Lembro-me, como si fosse ontem. Íamos a noite, pelas sete horas, trocar os livros já lidos, por outros. Na meia sombra daquele canto de rua, com um acentuado aspecto colonial, em que um lampeão de querosene punha a sua claridade baça, destacava-se, imenso para a minha imaginação juvenil, o salão da Biblioteca. Aquelas sortidas noturnas, no recolhido ambiente da Cuiabá de antanho, tinham para mim o mistério velado de uma aventura. Às vezes, encontrávamos ainda fechado o salão e era preciso esperar a chegada do porteiro, o velho João Agostinho Martins, por automásia o Candimba.
O que não li, ou melhor devorei, com esse apetite insaciável da adolescência, durante dois anos ou três em que fomos assinantes da Associação Literária! Todo Macedo, Alencar, Dumas, Montépin, Ponson, Escrich, para falar somente nos de maior vulto, passaram-me pelas vistas e pela imaginação enfebrecida...
(José de Mesquita. A Academia Mato-grossense de Letras (Notícia histórica), 1941)

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José de Mesquita

Esse é José de Mesquita, fundador da Academia Mato-Grossenses de Letras. Mesquita era filho do jurista, abolicionista de mesmo nome. Foi desembargador e dirigiu o Tribunal de Mato Grosso por 10 anos, assim como a própria AML por 40 anos. Com uma produção surpreendente, correspondeu-se com outras instituições culturais e academias de letras pelo Brasil.

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