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Uma noite memorável para a Cultura cuiabana

Lançamento de livro de Eduardo Mahon e de filme de João Manteufel reúne multidão de artistas, culturetes e muitos, muito jovens

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Lançamento de livro de Eduardo Mahon e de filme de João Manteufel reúne multidão de artistas, culturetes e muitos, muito jovens

A festa cultural – sim, foi uma festa o lançamento do livro “Contos Estranhos”, do escritor Eduardo Mahon, e avant-première do filme “O Poder da Palavra”, de João Manteufel – agitou meio mundo cuiabano na noite de terça-feira, primeiro de agosto. Para o setor cultural, o falado mês do cachorro louco começou bem, com jeito de gatinho manso.

O Cine Teatro Cuiabá superlotou. O melhor da superlotação – vamos combinar – foram os jovens. Garotada afoita por conhecimento, cultura e, claro, diversão. Além da chance de poder conhecer essas personagens míticas que são os escritores.

O mais gostoso da festa foi a estreia do filme “O Poder da Palavra”. Um documentário com depoimentos de personalidades, poetas, escritores, jornalistas e o editor Ramon Carlini, da Carlini & Caniato, que – como ficamos sabendo no filme – já editou mais de 400 títulos. Vamos ficar na torcida para que Carlini edite outros 400 e mais 400, infinitamente.

A artista visual Mari Gemma De La Cruz se disse emocionada ao assistir “o esforço cristalizado no filme e também a tessitura das vidas que se encontram e compõe um lindo bordado nesta colcha de retalhos que é nossa cultura.(...) Eu acho que a vida é assim: feita também destes momentos de contentamento que são um bálsamo nesta fase cheia de agruras que a contemporaneidade está nos impondo. Que venham outros e mais outros momentos assim, estamos necessitados disso”.

O jornalista e poeta Antônio Peres Pacheco destaca que o “Poder da Palavra”, para além da qualidade técnica do diretor e roteirista, “é um petardo emocional que corta fundo a alma da gente. Os depoimentos, às vezes doloridos, às vezes hilários, todos, porém, profundos e reveladores, desvelam e desmitificam vida e alma dos artistas. Como disse a Luciene Carvalho, ‘a Palavra É, e o artista apenas se dispõem a ser instrumentos de sua materialização, da criação e recriação, por meio dela, da realidade’. Afinal, somos todos Palavras, pois o Verbo, aquele que estava no princípio de tudo, nos criou ao dizer 'Haja luz'”.

O coralista e regente do Alma de Gato, Gilberto Nasser, disse que foi uma noite como poucas. “É bom ver o lindo Cine Teatro lotado de pessoas ávidas por celebrar a cultura. Ali, tudo se reuniu de maneira harmoniosa e oportuna, pois ambos os eventos eram importantes e significativos”.

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Ele diz que já está devorando o livro e não consegue parar de ler. “É daqueles livros raros que a gente consome em pouco mais de 24 horas. Literatura fascinante e nova. Sim, Mahon é o novo que desponta na literatura brasileira. Logo veremos essa repercussão, mundo afora.”

Falando do filme de João Manteufel, Nasser diz que "O Poder da Palavra foi simplesmente incrível. O que dizer para comentá-lo? Nada melhor do que ser franco e esclarecer bem objetivamente que gostei. Gostei demais. Gostei muito. E não era só eu, naquele momento de estreia, que curtia intensamente o filme. Olhei em volta e vi aquela plateia imensa também se deliciando com o que via na telona. Um silêncio reverente, digno das obras que são apreciadas com atenção”.

O ator e jornalista Vital Siqueira, criador da nossa infatigável Comadre Pitú, diz que “o filme tem uma força fantástica, ele trelê [conversa despretensiosa] com a nossa maior e melhor arma que funciona para o bem e o mal, a favor ou contra nós, "A Palavra". Além disso, o João acertou em cheio, na divisão dos depoimentos dando uma emoção crescente no filme através da trilha sonora e animação. Ele é um craque, a Noite foi divina”.

Para dizer que a noite foi cheia basta contar que vimos por lá praticamente toda a Academia Mato-grossense de Letras, o tradicionalista Eduardo Póvoas, o Beto Dois a Um, o deputado Wilson Santos, o desembargador Marcos Machado, o promotor Gerson Barbosa, o jovem escritor e jornalista Lucas Rodrigues, a produtora cultural Silvana Córdova, o cantor Guapo, o cineasta Rodrigo Piovesan, a bela atriz Kyara Jacob, a tranquila Vera Capilé, o saltitante Carlinhos Menina Moça, o ator Justino Astrevo, o historiador Louremberg Alves, o artista plástico Heitor Magno, o juiz Jamilson Haddad, a desembargadora Maria Erotides, o cineasta Luiz Marchetti e mais e mais.

Lá no início falamos da força da juventude. Não é para menos. Ontem, um dia depois do lançamento, rumando para casa, no ônibus, encontro uma jovem aluna lendo atentamente o livro. A jovem Cristina é estudante do Liceu Cuiabano, aluna da professora Claudete Jaudy, disse que estava gostando do livro e me mostrou o quanto já tinha lido. Quase a metade. Uma boa leitura, sem dúvida. A minha torcida era que a leitura fosse pela leitura, pelo prazer de ler. O que parecia ser.

JOÃO BOSQUO E ENOCK CAVALCANTI
Da Reportagem e Editoria - Diário de Cuiabá

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José de Mesquita

Esse é José de Mesquita, fundador da Academia Mato-Grossenses de Letras. Mesquita era filho do jurista, abolicionista de mesmo nome. Foi desembargador e dirigiu o Tribunal de Mato Grosso por 10 anos, assim como a própria AML por 40 anos. Com uma produção surpreendente, correspondeu-se com outras instituições culturais e academias de letras pelo Brasil.

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