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Sebastião Carvalho assume a Presidência da AML

sebastiao carvalho posse00Clique para ver a Galeria de Fotos

No último 31 de outubro, assumiu a Presidência da AML o escritor Sebastião Carlos Gomes de Carvalho. Ele substitui Marilia Beatriz no comando da mais tradicional instituição literária de Mato Grosso.

 

Academia Mato-Grossense de Letras tem nova direção

A Academia Mato-Grossense de Letras –AML se despediu, na noite de 31 de outubro, da gestão da presidente Marília Beatriz de Figueiredo Leite. A chapa Multifacetada cumpriu seu papel, com toda a sua itinerância, caminhando com sua missão para vários lugares, numa andança e luta hercúlea, devido aos obstáculos originados com a reforma da Casa Barão, além da data prevista. A Criatividade e Harmonia”, chapa com a qual o presidente Sebastião Carlos Gomes de Carvalho, foi eleito para a Gestão 2017-2019, assume a direção.

A noite de posse foi marcada pelos discursos que mostraram compromisso, críticas, alegria e muita seriedade com a entidade que caminha, com sua tradição, evolução e renovação, rumo ao seu centenário. Foi uma solenidade que se completou pela divina música do Quinteto CirandaMundo; pelo canto da jovem Áurea Maria, que encantou a todos com a força da sua voz e pela performance de Caio Ribeiro e Edilaine Duarte, com poemas de Sebastião Carlos.

 

Marília se despede

Marília Beatriz em seu discurso foi autêntica, irreverente e alegre. Destacando o desejo de pleno êxito ao presidente e a sua diretoria, ela ressaltou que tinha muita gratidão pelo presidente que estava sendo empossado, sendo que foi Sebastião Carlos Gomes de Carvalho o primeiro a lhe convidar para ingressar na Academia Mato-Grossense de Letras. Em seguida fez um breve relatório de sua gestão, recordando que já na sua posse teve o brilho de pessoas que tem a sua admiração e respeito, o poeta goiano Gilberto Mendonça Teles e Wladimir Dias – Pino, poeta e artista visual.

A itinerância forçada, devido a Casa Barão estar em reforma, também foi citada por Marília Beatriz, que teve a gestão de certa forma prejudicada, mas que por outro lado mostrou que quando se quer fazer nada é o limite. Até mesmo os protestos pela demora da obra ela lembrou, falando da pichação lírica dos tapumes que cercaram a Casa Barão, por meses a fio. Oportunidade que acadêmicos se juntaram a outras personalidades da sociedade para expressarem seus versos publicamente. O secretário de Cultura, Vicente Vuolo que ouvia tudo atentamente teve palavras de agradecimento, por realmente estar fazendo jus a pasta. Marília reforçou sua gratidão e disse que a Casa Barão de Melgaço só foi entregue pela atual gestão municipal.

Vale lembrar que durante o período, da sua presidência, Marília ficou doente, teve que se afastar e seu vice-presidente, José Cidalino Carrara assumir. Ela agradeceu publicamente, a ele e a diretora secretária Sueli Batista, que conduziram junto com ela o trabalho exitoso da gestão.

Dos destaques Marília fez questão de registrar o centenário de seu pai, o imortal Gervásio; a festa dos 95 anos da AML, que teve lugar no Palácio da Instrução, e o apoio para a realização do Inverno Literário Cuiabano, realizado pela Universidade Federal de Mato Grosso-UFMT, com participantes da Université Paris-Sorbonne; a posse do escritor Aclyse Mattos e a doação da biblioteca de “Therezinha de Jesus Arruda”, inaugurada no sábado, dia 28 de outubro, sendo o último ato oficial de sua gestão, fora a solenidade de posse.

Marília se despediu da presidência, mas continua a contribuir com seu trabalho voluntário para a Academia, integra a nova gestão como membro do Conselho Editorial. Ela e a diretora secretária, Sueli Batista receberam flores de Sebastião Carlos, e da sua esposa Rita Castro, num momento de carinho e reconhecimento, manifestados também no discurso do presidente empossado.

 

Destaques do discurso de Sebastião Carlos

“Encontramo-nos aqui, nesta noite engalanada, não apenas para a posse de uma nova Diretoria desta instituição mas, sobretudo, para celebrarmos o valor da cultura, da literatura e o vigor do pensamento e das ideias”, assim o presidente Sebastião Carlos Gomes de Carvalho abriu seu discurso de posse. Ele disse que “era imperioso reafirmar a cada instante, mesmo sob o risco de nos tornamos monotemáticos, que a Academia Mato-Grossense de Letras foi protagonista dos momentos mais ricos da história cultural, educacional, social e, por que não?, também politica de nosso Estado. Somos hoje herdeiros dessa tradição de estudiosos e de homens e de mulheres ligados pelo amor extremado a esta terra”.

O presidente lembrou em sua fala o caminhar rumo ao centenário da AML, e reafirmou o compromisso da instituição para com os anseios, os sonhos, os valores e as utopias de sua gente e de seu solo. Destacou que “neste sodalício, como talvez em nenhum outro em Mato Grosso, substantivam-se a simbiose de bens materiais com os bens imateriais que se entrelaçam para se constituírem numa herança imorredoura para esta terra. Esta Casa, portanto, tem um simbolismo que extrapola as suas paredes de cal e pedra, que vai além da sua argamassa, das suas madeiras, de seu piso e que está bem acima de seu telhado secular. Esta é uma Casa que se irmana com a sociedade mato-grossense no compromisso solene de lutar pela perpetuidade dos valores culturais e sociais que tanto marcam a sua existência histórica”, frisou, lembrando ainda que estamos às vésperas da celebração do tricentenário de Cuiabá, e destacou a importância da cidade no contexto cultural.

Testemunhos de grandes nomes estrangeiros e do cenário nacional foram relatados pelo presidente, citando-se exemplos: “Em meados do século XIX, o cientista alemão Karl Von den Steinen disse ter visto mais pianos do que em muitas cidades europeias, foi aqui mesmo que, anos antes, o Ouvidor Geral Diogo de Toledo Lara e Ordonhes, escrevera a primeira crítica de teatro no Brasil, precisamente numa época em que aqui se apresentaram mais peças de teatro que Rio e São Paulo, e não por menos, conta-se que o respeitado Monteiro Lobato, visitando a cidade na década de 30 do século passado, dissera ter ouvido aqui o falar português dos melhores em nosso país”

No que tange especificamente a presença da cultura literária, Sebastião Carlos citou os seus maiores intérpretes, a cronista Dunga Rodrigues e o historiador, Virgílio Corrêa Filho. O presidente falou também sobre a Casa Barão de Melgaço, que abriga a Academia Mato-Grossense de Letras, citando que tem mais de dois séculos. “Aqui o legado de Antônio João Manuel du Leverger, cognominado por Virgílio como o “bretão cuiabanizado”, ficou perpetuado no regaço que tanto amou”, disse ao discursar sobre o barão, “considerado o estrangeiro mais cuiabano que esta terra já recebeu, serviu de símbolo para todos os que vieram após ele”. Lembrou ainda que no dia 23 de novembro de 1930, o interventor federal Antonino Menna Gonçalves, atendendo a um reclamo popular, fez a doação da Casa Barão, para as duas noveis instituições culturais, a AML e ao Instituto Histórico e Geográfico do Estado de Mato Grosso.

Sebastião Carlos citou notáveis personalidades do cenáculo social, político e cultural recordando Virgílio Corrêa Filho e Estevão de Mendonça, que são dos historiadores mais completos que este Estado já produziu; D. Francisco de Aquino Corrêa, poeta e orador de escol, membro da Academia Brasileira de Letras, governador da conciliação, apaziguador das forças políticas que se digladiavam, criador do hino e do brasão do Estado, e José Barnabé de Mesquita, a quem o presidente reputou ser o mais completo e polimorfo intelectual matogrossense - poeta, jurista, contista, romancista e por mais de dez anos presidente desta Academia e do Tribunal de Justiça; Cândido Mariano da Silva Rondon, o bandeirante do século XX, dentre tantos outros nomes não esquecidos pela singularidade de seus feitos. Das personalidades femininas, além de Dunga Rodrigues, citou Maria de Arruda Müller, que foi exemplo da fibra e da inteligência da mulher mato-grossense.

Nas palavras do presidente não faltaram críticas também em relação a forma com que os recursos estão sendo distribuídos para os setores da cultura e educação, como se fossem gêneros de segunda natureza. “Em Mato Grosso não tem sido diferente do restante do Brasil. Faltam recursos para a ação cultural e educacional e, o pouco existente, é tão mal direcionado”, vaticinou, dizendo ainda que os governantes se esquecem o que a história vem demonstrando ao longo do tempo. Após citar o descaso, disse que “nunca será demais lembrar aos nossos governantes que o espirito coletivo de um povo, o que dá base para a sua prosperidade material, mas igualmente para a perpetuação de sua memória, é a cultura, a literatura. É isso que se chama patrimônio coletivo. As nações são erguidas sobre esse patrimônio. As civilizações, e desde a tradição greco-romana, são mantidas graças à força imanente do pensamento, fruto de uma cultura sólida”.

Ao terminar seu discurso, distanciando-se das críticas e se aproximando muito mais dos reconhecimentos e agradecimentos, o presidente disse que a “Casa Barão de Melgaço pertence à sociedade mato-grossense e que este pertencimento vem do passado como fruto da história mas é igualmente semente para o futuro”. Sendo o presidente natural de Aragarças, estado de Goiás, fez uma referência para uma das maiores poetisas brasileiras, nascida em Goiás Velho, Cora Coralina.

... tem mais chão nos meus olhos

do que cansaço nas minhas pernas,

mais esperança nos meus passos

do que tristeza nos meus ombros,

mais estrada no meu coração do que medo na minha cabeça.

Discurso de Posse completo:   ABRIR | BAIXAR

 

Saudação para Marília

José Cidalino Carrara , 1º vice-presidente na Gestão 2015-2017 e 1º secretário na Gestão 2-17-2019 leu, na solenidade de posse, o texto em homenagem que escreveu em nome dos acadêmicos, para Marília Beatriz, a qual segue na integra.

Nossa querida amiga, confreira Marília Beatriz de Figueiredo Leite, nós acadêmicas e acadêmicos não poderíamos deixar de perante essa assembleia dizer-te muito obrigado. Muito obrigado à Marilia Beatriz, criativa e instigante que com este parâmetro, estabeleceu um traço de união entre os vários perfís que constituem a academia mato-grossense de letras e o pluralismo da nossa sociedade contemporânea. A gestão comandada pela Marília Beatriz termina com a assinatura e o carimbo inconfundíveis dessa mulher que se colocou a disposição deste sodalício, para servir as causas da cultura e das letras de Mato Grosso. Neste período fizemo-nos mais acadêmicos. Fizemo-nos amigos. Uma amizade de mão dupla.

Na gestão de Marília Beatriz a Academia Mato-Grossense de Letras não existiu para encastelar, armazenar cultura e sim para socializá-la. A academia se afinou mais com toda a sociedade

Há um ditado que diz “que os grandes portões se movem por meio de pequenas dobradiças. A Marilia Beatriz nos deu um exemplo de que as coisas pequenas fizeram uma grande diferença. Sua doença e a casa sem sede motivaram ainda mais essa mulher que tem um talento e desempenho relevantes que justificaram seu trabalho. É um risco grande ou um perigo falar ou resumir o trabalho da Marília aqui na academia. Marília é quase uma subversiva completa. Tem mentes e atitudes audazes. Sua fala é rígida. Marília Beatriz, é mulher de muitos talentos. Seus talentos tem horizontes longos, largos e sem fronteiras. Marília ,querida amiga, ter sua companhia na diretoria da AML foi muito bom. Provérbios 14. 1 – “A mulher sábia edifica sua casa”. Marília, a senhora não só edifica, mas dignifica a Academia Mato-Grossense de Letras. A inteligência, a bondade, a humildade, o talento e a dignidade fazem seus vestidos. São suas vestimentas. A Marília Beatriz de Figueiredo Leite, nasceu com a vocação para liderar e, esteve sempre atenta ao andamento da casa, nunca, nunca “comeu o pão da preguiça.” Parabéns Marília Beatriz!

 

Fazem parte da diretoria - gestão 2017-2019

Presidente: Sebastião Carlos Gomes de Carvalho
1º Vice-Presidente: João Batista de Almeida
2ª Vice-Presidente: Lucinda Nogueira Persona
1º Secretário: José Cidalino Carrara
2ª Secretária: Sueli Batista dos Santos
1º Tesoureiro: Eduardo Moreira Leite Mahon
2º Tesoureiro: Lourembergue Alves
Conselho Fiscal: João Carlos Vicente Ferreira, Moisés Mendes Martins Junior, Marta Helena Cocco.
Conselho Editorial: Marília Beatriz de Figueiredo Leite, Olga Castrillon Mendes, e Ivens Cuiabano Scaff

 

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José de Mesquita

Esse é José de Mesquita, fundador da Academia Mato-Grossenses de Letras. Mesquita era filho do jurista, abolicionista de mesmo nome. Foi desembargador e dirigiu o Tribunal de Mato Grosso por 10 anos, assim como a própria AML por 40 anos. Com uma produção surpreendente, correspondeu-se com outras instituições culturais e academias de letras pelo Brasil.

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